No sul do meu Ceará, o meu Cariri querido
Mãe enterrou meu umbigo nas terras desse lugar
Motivo pra me orgulhar, do DNA da gente
Que o sangue irriga a semente da cultura popular
Vejo as ruas do Juazeiro, transbordando em alegria
É a maior romaria do Nordeste Brasileiro
Nas trovas do violeiro a voz que canta e encanta
Saúda a padroeira santa, Padre Cícero e os romeiros
Tem reisados, zabumbeiros, bandas cabaçais se expondo
Do Horto se escuta o estrondo, é show dos bacamarteiros
Tem vaquejada e vaqueiros, derrubando boi na pista
Tem versos, tem repentistas, com seu repente ligeiro
Tem o canto das lapinhas, com seus trajes tão galantes
Dando brilho em nossas ruas, com seu desfile elegante
Tem o nosso artesão nato, com a sutileza no tato
Esculpindo seu retrato, numa mágica hilariante
Em nossa linda Barbalha, os homens carregam o pau
E cenário nacional, é festa de Santo Antônio
E um pau de poder medonho, pra solteirona sentar
Se esfregar pra lá e pra cá, desencalha o matrimonio
E o nosso Cratinho de Açúcar, com suas nascentes belas
Que em forma de aquarela, banha o rosto da princesa
Contemplando essa beleza, o banhista mergulhando
É água limpa jorrando, dos olhos na natureza.
Anchieta Pereira (pai da noiva Maria Clara)